Depois de esperar várias horas de atraso pelas chuvas torrenciais que anunciavam a chegada das monções em Mumbai, embarcamos para Hong Kong, a cosmopolita região que, apesar de possuir um alto nível de autonomia, ainda é considerada uma “Região Administrativa Especial” controlada pelo governo Chinês. Hong Kong representa basicamente uma península que se extende do território Chinês e um conjunto de ilhas à sua volta. O território foi cedido para exploração britânica por um período de 99 anos em razão da derrota o Reino Unido na Guerra do Ópio. Desde então o estratégico porto de Hong Kong passou a servir de entreposto para a Coroa Britânica na Ásia e a região se tornou um importante centro comercial, servindo hoje de sede para muitos bancos e multinacionais. A grande riqueza gerada pelo comércio e a falta de território para expansão criaram ali uma das maiores densidades populacionais (verticais) do mundo. É incrível o número de pessoas aglomeradas e que civilizadamente habitam o lugar em vários arranha-céus.
A previsão era de ficarmos ali o tempo suficiente para tirarmos nosso visto para China, que acabou sendo uns 6 dias. No primeiro dia ficamos num albergue no 8o andar de um prédio comercial. E da janela do quarto já tivemos uma das tradicionais imagens dos inúmeros e luminosos letreiros de publicidade. Depois nos mudamos para o apartamento de um casal que nos hospedou pelo CouchSurfing (www.couchsurfing.com) . Talvez essa tenha sido a melhor experiência de nossa passagem por lá. Tivemos a oportunidade de aprender um pouco da autêntica cultura com o casal. O apartamento era relativamente grande, comparados com os padrões apertados de lá, e ficava numa região de condomínios de prédios residenciais de pelo menos 20 andares cada e que ficava a uns 20 min. da ilha de Hong Kong, o coração financeiro-comercial.
O primeiro contato cultural foi com a saborosa culinária local. Nos introduziram aos famosos e deliciosos “Dim-sum” num local bem tradicional e nos apaixonamos. Dim-sum é um bolinho feito a vapor de diversos sabores, sendo os mais gostosos, na minha opinião, os de frutos do mar. É consumido em quase todas refeições e em especial no lanche do meio da tarde acompanhado de muito chá e um jornalzinho. Aliás, todas as refeições são acompanhadas de muito chá. Eles ficam constantemente completando os bules que estão à mesa. E para aumentar nossa alegria com a comida de lá, nossos anfitriões ainda nos brindaram com um excelente jantar de frutos do mar feito em casa. Como era de se esperar de uma região litorânea, frutos do mar são o carro chefe da culinária local.
Matilda e Chris, o casal anfitrião, tem nomes de ingleses, falam inglês fluentemente mas são Chineses (ou HongKonguenos ? hahaha) e descendentes de chineses. A influência britânica ainda é muito forte na região, quase todos falam inglês, que é um dos idiomas oficiais e ainda dirigem do lado esquerdo da rua. Dirigem pouco na verdade, porque contam com um excelente sistema de transporte público. Um dos mais eficientes que eu já vi no mundo. E melhor ainda é a forma que eles bolaram para integrar ainda mais o sistema na vida das pessoas. Como quase todos usam diariamente os meios, existe um cartão (Octopuss) aonde você coloca créditos para ir utilizando ao longo dos dias e apenas o aproxima das leitoras de metrôs e ônibus para utilizá-lo. Aí, inteligentemente, eles estenderam o uso do cartão para supermercados, restaurantes, lojas, etc. Tudo muito simples, prático e eficiente! E viva a modernidade!
Nos dias que passamos lá conciliamos nosso tempo entre visitar os pontos turísticos e o esporte nacional, as compras! Não é atoa que eles tem um sistema “simples, prático e eficiente” para comprar! Lá o consumo é intenso e nem um pouco consciente. Referência mundial pelo comércio de diversos bens a preços abaixo do resto mundo por conta de sua localização logística estratégica e tarifas reduzidas para bens importados (como não espaço para produzir, quase tudo é importado), os cidadãos locais acabaram se tornando consumidores frenéticos e compulsivos. É até interessante ver prédios inteiros com lojas somente de equipamentos de som, ou encontrar uma mega loja de artigos de esporte aventura no 12o andar de um prédio comercial! E para se ter uma idéia, um celular que é lançado no Brasil hoje, é lançado lá há uns 6 meses antes e corre o risco de já ser obsoleto! A lógica norte-americana de aproveitar apenas 1% de tudo que foi comprado depois do prazo de 6 meses é uma grande verdade lá! E o que fazer com os 99% das compras que vão parar no lixo ?? Eles ainda não conseguiram responder essa pergunta e vivem um drama pois não existe mais espaço para aumentar os lixões!
Dentre os pontos turísticos, infelizmente não tivemos tempo para visitar algumas ilhas mais afastadas com trilhas muito interessantes pela natureza. Então nos contentamos em contemplar os diversos angulos de visão do porto, delineado pelos diferentes formatos das obras de arquitetura moderna que são inúmeros arranha-céus a beira do cais. E que fica mais bonito a noite quando os prédios estão com suas luzes coloridas acesas e ocorre o “show” de luzes integrado com uma música. Muito high-tech! Que é até um termo que pode ser considerado pleonasmo em se tratando de Hong Kong.
Depois de praticamente uma semana para obter nosso (caro!) visto para China, embarcamos no dia seguinte com destino a Pequim.
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