6 de abril de 2009

Festival PURORITMO em FLORIPA, dia 11/04, semana santa!

... sentir o puro ritmo da existência ...

11 de abril, Lançamento do PURORITMO Festival da Cultura Consciente 

O PURORITMO chega em Floripa no dia 11 de abril, sabado de aleluia, lua cheia, no Aragua, centro Desportivo e Cultural localizado no canto direito da Praia Mole. Com o objetivo de lançar o projeto em nível nacional para que seja referência de entretenimento consciente e, considerando Florianópolis uma cidade turística contemporânea e símbolo de beleza natural no Brasil, o PURORITMO sai de sua terra natal, Brasília, e traz inovação para a capital de Santa Catarina. Promovendo saúde e ecologia, o projeto traz para Florianópolis o conceito de entretenimento consciente, sem bebidas alcoólicas e cigarros. 

Com feira de ecoprodutos e economia solidária, shows, oficinas, saúde integral e gastronomia natural o projeto movimenta o feriado da Semana Santa da capital catarinense, fortalecendo a identidade da cidade com o turismo sustentável, saúde e bem-estar. 
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Programação PURORITMO

A partir das 09h
Oficinas de práticas ecológicas, culturais e de saúde integral. Inscrições no local
Feira de Ecoprodutos e Economia Solidária
Área de Gastronomia Natural

A partir das 18h
Shows e apresentações com artistas de Florianólpolis, Brasília e Rio de Janeiro.

BANDO ARVORE SAGRADA
música orgânica e cultura afro-brasielira

DJ MARCELO PIMENTA, 
projeto nação balanço, musica brasileira 

DJ CHICCO AQUINO, 
festival Puroritmo, música negra universal

B NEGÃO SOUND SYSTEM, 
show ao vivo com B Negão, Dj Castro e Pedro Selector (trompete), Dub, HIp Hop, Reggae, Ragga.

Sábado, 11 de abril, das 9h da manhã até meia noite!
Local: ARAGUA, canto direito da Praia Mole

Entrada Franca até 18h,
18h, R$ 10 Fem e R$ 15 Masc
Após 20h, R$ 15 Fem e R$ 20 Masc

Telefone: (48) 8422 3437
                  (61) 7814 5995

Apoio
ARAGUA - POUSADA HI ADVENTURE - NATUROLOGIA (UNISUL) - RESTAURANTE SOL DO MEIO DIA - MADEREIRA LITORAL TROPICAL - STANDARD AUDIOVISUAIS

Divulgação Festival da Cultura Consciente anexo!

acesse para ver fotos e conhecer mais do projeto. 
Link para Vídeo Puroritmo;


26 de fevereiro de 2009

O supermercado é político

O supermercado é político
Samantha Buglione

 
Falar que o "supermercado é político" é dizer que o mais privado dos atos, o de buscar alimento e garantir necessidades primárias, não se encerra na hora de pagar a conta. A escolha do produto até pode se dar por razões econômicas, busca de qualidade ou, ainda, ideologia. Contudo, ao escolher um produto também se escolhe, querendo ou não, uma forma de produção, um tipo de relação de trabalho, um determinado impacto ambiental. Em suma, comprar algo é trazer para casa, além do produto, a sua cadeia de fabricação e as conseqüências. Ignorar esses fatores é se proteger de dois elmentos do conhecimento: liberdade e responsabilidade.

Dados de recentes pesquisas demonstraram que produtos orgânicos possuem mais nutrientes que os alimentos da produção linear. Ou seja, não é apenas uma questão de quantidade, mas de qualidade. Pode até ser que a agricultura orgânica não produza tanto quanto a linear, mas alimenta mais. O artigo "Comparação da qualidade nutricional de frutas, hortaliças e grãos orgânicos e convencionais" , publicado no "Jornal de Medicina Alternativa" , relata que produtos orgânicos, em média, contêm 29,3% mais magnésio, 27% mais vitamina C, 21% mais ferro, 26% mais cálcio, 11% mais cobre, 42% mais manganês, 9% mais potássio e 15% menos nitratos. Indo mais além, conforme relatório do "Environmental Group", atualmente, ao completar um ano de vida uma criança já recebeu, por conta do consumo de alimentos convencionais, a dosagem máxima aceitável pela Organização Mundial de Saúde de oito pesticidas altamente carcinogênicos para uma vida inteira.

Além das questões nutricionais, alimentos orgânicos e de agricultura familiar contribuem para a empregabilidade no campo. O que evita o êxodo rural, e, por conseqüência, o aumento de favelas em centros urbanos.

Um outro dado importante é que quem produz alimento para o brasileiro não é a produção convencional ou linear ou o agronegócio, mas a agricultura familiar e orgânica. Mais da metade do feijão vem da produção familiar; no caso do arroz, mais de um terço; e, da mandioca, 90%. Essas são algumas informações que demonstram a importância do setor na economia brasileira, um setor responsável por uma média de 10% do produto interno bruto (PIB) nacional, conforme dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.

E, mais, o que realmente alimenta é a produção de grãos, vegetais e hortaliças. A carne de suínos, aves e bovinos não é o alimento mais completo em nutrientes ou que vai estar na mesa de todos os brasileiros. O Brasil é campeão de exportações. E Santa Catarina orgulha-se dos seus números. No entanto, ao exportar a carne produzida por aqui também se exporta a água potável, os milhões de hectares utilizados para alimentar os animais, as florestas queimadas. A única coisa que fica são os resíduos. A Epagri de SC revela que as fezes dos 5,6 milhões de suínos que existem no Estado produzem 9,7 toneladas de dióxido de carbono por dia. Para 1 kg produzido de carne de suíno ou bovino é gerado o equivalente a 8 kg de excremento. Imagine levar tudo isso para casa ao comprar um inocente pacotinho de presunto para o sanduíche? Não levamos.
 
Desde 2005, no Brasil, há mais bois e vacas que homens e mulheres, 200 milhões de bovinos ocupam um espaço três vezes maior do que toda a área cultivada no País e consomem quatro vezes mais água. 
Se for uma questão de aumento da riqueza nacional e de estratégia para matar a fome dos brasileiros, a nossa matemática não está bem certa. Afinal, o agronegócio nem emprega tanta gente assim e os custos ambientais com a poluição de rios, solo, mananciais e emissão de metano são revertidos ou para o preço final do produto ou para o Estado, que terá mais gastos com saúde e políticas para despoluição. Aí, quem paga a conta somos todos nós, querendo ou não, sabendo ou não.

Foi-se o tempo em que comprar mandioquinha, feijão ou ovos era só comprar mandioquinha, feijão ou ovos. Quando se leva ovo para casa, o da produção convencional, se está chancelando, incentivando e financiando um processo que trata animais como coisa; que ignora que sentem dor e que possuem uma forma própria de viver a vida. Além de fazê-los viver de forma confinada e sendo alimentados com uma ração que contêm tantos aditivos que os transformam mais em uma pasta química do que em um ser vivo.
 
Nem o peitinho de frango se salva.

Ir ao supermercado é fazer política. É fazer escolhas. É dizer que tipo de produção de alimentos queremos e que tipo de empregos queremos financiar. O ato de escolher e comprar o que se vai consumir pode ser silencioso, mas é muito poderoso.
 

29 de janeiro de 2009

LEDs

O caminho da iluminação...

Não, não é um artigo espiritual! rsrsrsrs

Iluminada seja a tecnologia aliada a natureza!



TECNOLOGIA

Sua lâmpada será assim

Avanços tecnológicos e queda nos preços dos LEDs prometem revolucionar o que entendemos por iluminação

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Por Luiza Dalmazo
Revista Exame - 22/01/2009

A Sala São Paulo, casa da Orquestra Sinfônica do Estado e um dos mais belos edifícios da capital paulista, trocou seu sistema de iluminação externa há pouco menos de um ano. Os contornos da antiga estação de trem no centro da cidade agora são realçados por uma nova tecnologia, mais econômica, duradoura e versátil que as tradicionais lâmpadas incandescentes. Trata-se da iluminação com LEDs, sigla em inglês para diodos emissores de luz. Os LEDs não são propriamente uma novidade. As primeiras referências às propriedades luminosas de certos semicondutores datam do começo do século passado.

Depois de um intervalo de décadas, nos anos 60 surgiram as primeiras aplicações práticas para a tecnologia, que passou a ser restrita a aplicações industriais e alguns poucos eletroeletrônicos. O avanço decisivo viria somente em 1995: naquele ano, viu-se pela primeira vez um LED capaz de emitir luz branca. A descoberta abriu caminho para tornar obsoleta a lâmpada incandescente, inventada por Thomas Edison 161 anos atrás. 

A Sala São Paulo calcula que o novo sistema, composto de 2 400 luminárias e 200 conjuntos de lâmpadas externas de LEDs, consuma 75% menos energia elétrica que o anterior. A energia elétrica economizada equivale ao consumo de 950 residências ao longo de um ano. A diferença não está somente na conta de luz. A tecnologia de LEDs tem vida útil estimada em 50 000 horas, ante apenas 1 000 horas das lâmpadas incandescentes. O conjunto formado por reator, lâmpada e luminária ainda é em média 20 vezes mais caro que os equivalentes da antiga tecnologia, mas a diferença se estreita a cada ano.

Como os processadores de computador, os LEDs têm dobrado a capacidade luminosa mais ou menos a cada dois anos, e os preços têm caído pela metade. Hoje, apenas 1,9% dos 79,5 bilhões de dólares movimentados mundialmente no mercado de iluminação fica com os LEDs. Mas em dez anos a expectativa é que essa cifra cresça dramaticamente. "Em pouco tempo, teremos um novo cenário no mercado de iluminação", diz Nadarajah Narendran, diretor de pesquisa do Lighting Research Center, instituto americano especializado em iluminação. 




O preço das lâmpadas convencionais de LED, como a exibida na página ao lado, ainda deve manter a tecnologia longe das residências. Mas hotéis, redes varejistas e até mesmo a indústria automotiva já estão aderindo em peso. Um hotel que troque todas as suas lâmpadas pode recuperar o investimento em sete meses. Além do consumo mais baixo, as lâmpadas esquentam menos, o que significa menos carga no ar-condicionado. Quem também se rendeu foi a administração pública. Segundo o vice-presidente de iluminação da Philips Brasil, Yoon Young Kim, 20% dos monumentos do mundo já são iluminados com o novo sistema. Os LEDs exigem menos manutenção, e isso representa uma grande economia, pois muitas vezes os pontos de luz ficam em locais de difícil acesso. 


As novas lâmpadas também andam de mãos dadas com os projetos de energia alternativa. Na Austrália, na China, na Europa e nos Estados Unidos existem incentivos formais à adoção de fontes de iluminação mais econômicas. A União Europeia decidiu criar campanhas para que as lâmpadas incandescentes sumam do mercado até 2012, depois de constatar que elas são responsáveis por 77% do consumo doméstico de energia elétrica. Inicialmente elas devem ser substituídas pelas fluorescentes compactas, mas no longo prazo os LEDs devem ser a tecnologia-padrão. Nos Estados Unidos, o objetivo é fazer com que as novas luzes gerem uma economia de 280 bilhões de dólares nos próximos 20 anos.


Até mesmo o Pentágono anunciou a adesão aos LEDs, em nome da causa verde. No espaço em que está situado o Departamento de Defesa dos Estados Unidos serão instalados mais de 4 000 conjuntos de LEDs. E a inovação não ficará restrita a países ricos. No Quênia, a alemã Osram está substituindo luminárias de querosene, em muitos locais a única fonte de luz disponível, por um sistema que combina painéis solares, baterias e lâmpadas de LED. Além do custo mais baixo no longo prazo, a empresa calcula que seja evitado o lançamento de 67 toneladas de CO2 na atmosfera a cada ano. 


UMA NOVA LUZ 

Seis motivos pelos quais os diodos emissores de luz, ou LEDs, são a iluminação do futuro:


1 - A cada dois anos, o poder de iluminação dos LEDs dobra e o custo de fabricação cai pela metade 

2 - Uma lâmpada doméstica de LEDs dura 50 000 horas, ante apenas 1 000 de uma incandescente 

3 - Lâmpadas com a nova tecnologia consomem 82% menos energia elétrica que as incandescentes

4 - Em três anos, os LEDs devem passar a efi ciência energética das lâmpadas fluorescentes compactas 

5 - Um em cada cinco monumentos do mundo já é iluminado com a nova tecnologia 

6 - Os LEDs podem ser fabricados em diversos formatos e ter tamanhos milimétricos 


Os desafios técnicos, agora, se referem à potência das lâmpadas. Calcula-se que em três anos a eficiência energética do LED deve superar até mesmo a das fluorescentes compactas. "Os 100 lúmens [unidade de medida de luz] por watt que se consegue hoje devem saltar para 200 em três ou quatro anos", diz Vinicius Petroni, gerente de vendas da GE Consumidores e Indústria. Quando esse desempenho aumentar, a participação do LED no mercado brasileiro de iluminação (sem contar aqueles usados em celulares e televisores), que é de cerca de 700 milhões de dólares, passará dos 20 milhões de dólares de hoje para 80 milhões em cinco anos. As incandescentes estão prestes a virar peça de museu.


Grande poder

Compartilho a letra de uma música que está na minha cabeça! Talvez por estar encantado por acompanhar o crescimento do que estou plantando... 

grande poder

comadre fulozinha

Composição: Mestre Verdelinho

O nosso deus corrige o mundo
pelo seu dominamento sei o que a terra gira 
com o seu grande poder
grande poder com o seu grande poder.

a terra deu, a terra dá, a terra cria
homem a terra cria, a terra deu a terra há
a terra voga a terra dá o que tirar
a terra acaba com toda má alegria
a terra acaba com o inseto que a terra cria
nascendo em cima da terra nessa terra há de viver
vivendo na terra que essa terra há de comer
tudo que vive nessa terra 
pra essa terra é alimento
deus corrige o mundo pelo seu dominamento
a terra gira com o seu grande poder
grande poder, com o seu grande poder
o nosso deus corrige o mundo...

porque no céu a gente vê uma estrelinha
aquela estrela nasce e se põe as 6 horas
quando é de manhã aquela estrela vai embora
tem uma maior e tem outra mais miudinha
tem uma acesa e outra mais apagadinha
seis horas da noite é que pega a aparecer
quando é de manhãzinha ela torna a se esconder
só de noite ela brilha em cima do firmamento
porque deus corrige o mundo pelo seu dominamento
a terra gira com o seu grande poder
grande poder, com o seu grande poder
o nosso deus corrige o mundo pelo seu dominamento...

o homem aplanta um rebolinho de maniva
aquela maniva com dez dias tá inchada
começa a nascer aquela folha orvalhada
ali vai se criando aquela obra positiva
muito esverdeada, muito linda e muito viva
embaixo cria uma batata que engorda e faz crescer
aquilo dá farinha pra todo mundo comer
e para todas as criaturas vai servir de alimento
deus corrige o mundo pelo seu dominamento
a terra gira com o seu grande poder
grande poder, com o seu grande poder.
o nosso deus corrige o mundo pelo seu dominamento...

23 de dezembro de 2008

Reflexão para 2009

Que em 2009 haja um despertar para as mudanças internas necessárias em cada um... e que as pessoas assumam as responsabilidades e a consciência de viverem integrados num mesmo planeta

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"É preciso salvar o planeta do capitalismo"

Em um documento enviado para a XIV Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, o presidente da Bolívia, Evo Morales, diz que a competição e a sede de lucro sem limites do sistema capitalista estão destroçando o planeta. Para o líder boliviano, “a mudança climática colocou toda a humanidade diante de uma disjuntiva: continuar pelo caminho do capitalismo e da morte, ou empreender o caminho da harmonia com a natureza e do respeito à vida”.

Evo Morales propõe a criação de uma Organização Mundial do Meio Ambiente e da Mudança Climática, a qual se subordinem as organizações comerciais e financeiras multilaterais, para promover um modelo distinto de desenvolvimento, amigável com a natureza e que resolva os graves problemas da pobreza. E defende a transformação estrutural da Organização Mundial do Comércio (OMC), do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do sistema econômico internacional em seu conjunto, "a fim de garantir um comércio justo e complementar, um financiamento sem condicionamentos para um desenvolvimento sustentável que não esbanje os recursos naturais e os combustíveis fósseis nos processos de produção, comércio e transporte de produtos".

Leia a seguir a íntegra do documento:

Hoje, nossa Mãe Terra está doente. Desde o princípio do século XXI temos vivido os anos mais quentes dos últimos mil anos. O aquecimento global está provocando mudanças bruscas no clima: o retrocesso das geleiras e a diminuição das calotas polares; o aumento do nível do mar e a inundação de territórios costeiros em cujas cercanias vivem 60% da população mundial; o incremento dos processos de desertificação e a diminuição de fontes de água doce; uma maior freqüência de desastres naturais que atingem diversas comunidades do planeta; a extinção de espécies animais e vegetais; e a propagação de enfermidades em zonas que antes estavam livres das mesmas. Uma das conseqüências mais trágicas da mudança climática é que algumas nações e territórios estão condenados a desaparecer pela elevação do nível do mar.

Tudo começou com a Revolução Industrial de 1750 que deu início ao sistema capitalista. Em dois séculos e meio, os países chamados “desenvolvidos” consumiram grande parte dos combustíveis fósseis criados em cinco milhões de séculos. A competição e a sede de lucro sem limites do sistema capitalista estão destroçando o planeta. Para o capitalismo não somos seres humanos, mas sim meros consumidores. Para o capitalismo não existe a mãe terra, mas sim as matérias primas. O capitalismo é a fonte das assimetrias e desequilíbrios no mundo. Gera luxo, ostentação e esbanjamento para uns poucos enquanto milhões morrem de fome no mundo. Nas mãos do capitalismo, tudo se converte em mercadoria: a água, a terra, o genoma humano, as culturas ancestrais, a justiça, a ética, a morte...a própria vida. Tudo, absolutamente tudo, se vende e se compra no capitalismo. E até a própria “mudança climática” converteu-se em um negócio.

A “mudança climática” colocou toda a humanidade diante de uma grande disjuntiva: continuar pelo caminho do capitalismo e da morte, ou empreender o caminho da harmonia com a natureza e do respeito à vida. No Protocolo de Kyoto, de 1997, os países desenvolvidos e de economias em transição se comprometeram a reduzir suas emissões de gases geradores de efeito estufa em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990, com a implementação de diferentes instrumentos entre os quais predominam os mecanismos de mercado. Até 2006, os gases causadores do efeito estufa, longe de diminuir, aumentaram 9,1% em relação aos níveis de 1990, evidenciando-se também desta maneira o descumprimento dos compromissos dos países desenvolvidos. Os mecanismos de mercado aplicados nos países em desenvolvimento não conseguiram uma diminuição significativa das emissões desses gases.

Assim como o mercado é incapaz de regular o sistema financeiro e produtivo do mundo, o mercado tampouco é capaz de regular as emissões de gases e só gerará um grande negócio para os agentes financeiros e as grandes corporações. 

O planeta é muito mais importante que as bolsas de Wall Street e do mundo. Enquanto os Estados Unidos e a União Européia destinam US$ 4,1 trilhões de dólares para salvar os banqueiros de uma crise financeira que eles mesmos provocaram, destinam apenas US$ 13 bilhões de dólares aos programas vinculados à mudança climática, um valor 313 vezes menor do que aquele reservado aos bancos. Os recursos para a mudança climática estão mal distribuídos. Destinam-se mais recursos para reduzir as emissões (mitigação) e menos para enfrentar os efeitos da mudança climática que atingem todos os países (adaptação).

A grande maioria dos recursos foi dirigida aos países que mais contaminaram o meio ambiente e não para os países que mais trabalharam pela preservação. Cerca de 80% dos projetos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo concentraram-se em apenas quatro países emergentes. A lógica capitalista promove o paradoxo de que os setores que mais contribuíram para a deterioração do meio ambiente são os que mais se beneficiam dos programas relacionados às mudanças climáticas. E a transferência de tecnologia e financiamento para um desenvolvimento limpo e sustentável dos países do Sul permaneceu nos discursos. Na próxima cúpula sobre a Mudança Climática, em Copenhague, devemos permitir-nos dar um salto se queremos salvar a mãe terra e a humanidade. Para isso, apresentamos as seguintes propostas para o processo que vai de Poznan a Copenhague.

Atacar as causas estruturais da mudança climática

Discutir as causas estruturais da mudança climática. Enquanto não mudarmos o sistema capitalista por um sistema baseado na complementaridade, na solidariedade e na harmonia entre os povos e a natureza, as medidas que adotarmos serão paliativos com um caráter limitado e precário. Para nós, o que fracassou é o modelo de “viver melhor”, do desenvolvimento ilimitado, da industrialização sem fronteiras, da modernidade que despreza a história, da acumulação crescente às custas do outro e da natureza. Por isso, propomos o Viver Bem, em harmonia com os outros seres humanos e com nossa Mãe Terra.

Os países desenvolvidos precisam controlar seus padrões consumistas – de lucro e esbanjamento -, especialmente o consumo excessivo de combustíveis fósseis. Os subsídios aos combustíveis fósseis, que chegam a 150-250 bilhões de dólares, devem ser progressivamente eliminados. É fundamental desenvolver energias alternativas como a energia solar, a geotérmica, a energia eólica e a hidroelétrica em pequena e média escala.

Os agrocombustíveis não são uma alternativa porque opõem a produção de alimentos para o transporte frente à produção de alimentos para os seres humanos. Os agrocombustíveis ampliam a fronteira agrícola destruindo os bosques e a biodiversidade, geram monoculturas, promovem a concentração da terra, deterioram os solos, esgotam as fontes de água, contribuem para a alta do preço dos alimentos e, em muitos casos, consomem mais energia do que geram.

Cumprimento de compromissos substanciais de redução de emissões

Cumprir estritamente até 2012 o compromisso dos países desenvolvidos de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em pelo menos 5%, em relação aos níveis de 1990. Não é aceitável que os países que contaminaram historicamente o planeta falem de reduções maiores para o futuro descumprindo seus compromissos presentes.

Estabelecer novos compromissos mínimos para os países desenvolvidos, de 40% para 2020 e de 90% para 2050, de redução de gases causadores do efeito estufa, tomando como ponto de partida as emissões de 1990. Esses compromissos mínimos de redução devem ser feitos de maneira interna nos países desenvolvidos e não através de mecanismos flexíveis de mercado que permitem a compra de Certificados de Reduções de Emissões para seguir contaminando em seu próprio país. Além disso, devem se estabelecer mecanismos de monitoramento, informação e verificação transparentes, acessíveis ao público, para garantir o cumprimento de tais compromissos. Os países em desenvolvimento que não são responsáveis pela contaminação histórica devem preservar o espaço necessário para implementar um desenvolvimento alternativo e sustentável que não repita os erros do processo de industrialização selvagem que nos levaram à atual situação. Para assegurar esse processo, os países em desenvolvimento necessitam, como pré-requisito, de financiamento e transferência de tecnologia.

Um mecanismo financeiro integral para atender à dívida ecológica

Os países desenvolvidos devem reconhecer a dívida ecológica histórica que têm com o planeta e criar um mecanismo financeiro integral para apoiar os países em desenvolvimento na implementação de seus planos e programas de adaptação e mitigação da mudança climática; na inovação, desenvolvimento e transferência de tecnologia; na conservação e melhoramento de seus escoadouros e depósitos; nas ações de resposta aos graves desastres naturais provocados pela mudança climática; e na execução de planos de desenvolvimento sustentáveis e amigáveis com a natureza.

Este mecanismo financeiro integral, para ser efetivo, deve contar com pelo menos um aporte de 1% do PIB dos países desenvolvidos, sem contar outros recursos provenientes de impostos sobre combustíveis, transnacionais financeiras, transporte marítimo e aéreo e bens de empresas transnacionais. O financiamento proveniente dos países desenvolvidos deve ser agregado à Ajuda Oficial para o Desenvolvimento (ODA), à ajuda bilateral e/ou canalizada através de organismos que não sejam os das Nações Unidas. Qualquer financiamento fora da Convenção-Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (CMNUCC) não poderá ser considerado como a aplicação dos compromissos dos países desenvolvidos sob a convenção. Os financiamentos têm que ser dirigidos aos planos e programas nacionais dos Estados e não para projetos que estão sob a lógica do mercado.

O financiamento não deve concentrar-se somente em alguns países desenvolvidos, mas tem que priorizar os países que menos contribuem para a emissão de gases geradores do efeito estufa, aqueles que preservam a natureza e/ou que mais sofrem os impactos da mudança climática. O mecanismo de financiamento integral deve estar sob a cobertura das Nações Unidas e não do Fundo Global de Meio Ambiente (GEF) e seus intermediários como o Banco Mundial ou os bancos regionais; sua administração deve ser coletiva, transparente e não burocrática. Suas decisões devem ser tomadas por todos os países membros, em especial os países em desenvolvimento, e não apenas pelos doadores ou pelas burocracias administradoras.

Transferência de tecnologia aos países em desenvolvimento

As inovações e tecnologias relacionadas com a mudança climática devem ser de domínio público e não estar sob um regime privado de monopólio de patentes que obstaculiza e encarece sua transferência aos países em desenvolvimento.

Os produtos que são fruto do financiamento público para inovação e desenvolvimento de tecnologias devem ser colocados sob o domínio público e não sob um regime privado de patentes, de forma tal que sejam de livre acesso para os países em desenvolvimento.

Incentivar e melhorar o sistema de licenças voluntárias e obrigatórias para que todos os países possam ter acesso aos produtos já patenteados, de forma rápida e livre de custo. Os países desenvolvidos não podem tratar as patentes e os direitos de propriedade intelectual como se fossem algo “sagrado” que deve ser mantido a qualquer custo. O regime de flexibilidade que existe para os direitos de propriedade intelectual, quando se trata de graves problemas de saúde pública, deve ser adaptado e ampliado substancialmente para curar a Mãe Terra.

Reunir e promover as práticas dos povos indígenas de harmonia com a natureza que, ao longo dos séculos, mostraram-se sustentáveis.

Adaptação e mitigação com a participação de todo o povo

Impulsionar ações, programas e planos de mitigação e adaptação com a participação das comunidades locais e povos indígenas no marco do pleno respeito e implementação da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. O melhor instrumento para enfrentar o desafio da mudança climática não são os instrumentos de mercado, mas sim os seres humanos organizados, conscientes, mobilizados e dotados de identidade.

A redução das emissões resultantes do desmatamento e degradação das florestas deve estar baseada em um mecanismo de compensação direta de países desenvolvidos para países em desenvolvimento, através de uma implementação soberana que assegure uma participação ampla de comunidades locais e povos indígenas, e um mecanismo de monitoramento, informação e verificação transparentes e públicos.

Uma ONU do Meio Ambiente e da Mudança Climática

Necessitamos de uma Organização Mundial do Meio Ambiente e da Mudança Climática, a qual se subordinem as organizações comerciais e financeiras multilaterais, para promover um modelo distinto de desenvolvimento, amigável com a natureza e que resolva os graves problemas da pobreza. Esta organização tem que contar com mecanismos efetivos de implantação de programas, verificação e sanção para garantir o cumprimento dos acordos presentes e futuros.

É fundamental transformar estruturalmente a Organização Mundial do Comércio, o Fundo Monetário e o sistema econômico internacional em seu conjunto, a fim de garantir um comércio justo e complementar, um financiamento sem condicionamentos para um desenvolvimento sustentável que não esbanje os recursos naturais e os combustíveis fósseis nos processos de produção, comércio e transporte de produtos.

Neste processo de negociação para a cúpula de Copenhague é fundamental garantir instâncias ativas de participação em nível nacional, regional e mundial de todos nossos povos, em particular dos setores mais afetados como os povos indígenas que sempre impulsionaram a defesa da Mãe terra.

A humanidade é capaz de salvar o planeta se recuperar os princípios da solidariedade, da complementaridade e da harmonia com a natureza, em contraposição ao império da competição, do lucro e do consumismo dos recursos naturais.

(*) Evo Morales é Presidente da Bolívia.

28 de novembro de 2008

Hong Kong


Depois de esperar várias horas de atraso pelas chuvas torrenciais que anunciavam a chegada das monções em Mumbai, embarcamos para Hong Kong, a cosmopolita região que, apesar de possuir um alto nível de autonomia, ainda é considerada uma “Região Administrativa Especial” controlada pelo governo Chinês. Hong Kong representa basicamente uma península que se extende do território Chinês e um conjunto de ilhas à sua volta. O território foi cedido para exploração britânica por um período de 99 anos em razão da derrota o Reino Unido na Guerra do Ópio. Desde então o estratégico porto de Hong Kong passou a servir de entreposto para a Coroa Britânica na Ásia e a região se tornou um importante centro comercial, servindo hoje de sede para muitos bancos e multinacionais. A grande riqueza gerada pelo comércio e a falta de território para expansão criaram ali uma das maiores densidades populacionais (verticais) do mundo. É incrível o número de pessoas aglomeradas e que civilizadamente habitam o lugar em vários arranha-céus. 


A previsão era de ficarmos ali o tempo suficiente para tirarmos nosso visto para China, que acabou sendo uns 6 dias. No primeiro dia ficamos num albergue no 8o andar de um prédio comercial. E da janela do quarto já tivemos uma das tradicionais imagens dos inúmeros e luminosos letreiros de publicidade. Depois nos mudamos para o apartamento de um casal que nos hospedou pelo CouchSurfing (www.couchsurfing.com) . Talvez essa tenha sido a melhor experiência de nossa passagem por lá. Tivemos a oportunidade de aprender um pouco da autêntica cultura com o casal. O apartamento era relativamente grande, comparados com os padrões apertados de lá, e ficava numa região de condomínios de prédios residenciais de pelo menos 20 andares cada e que ficava a uns 20 min. da ilha de Hong Kong, o coração financeiro-comercial.


O primeiro contato cultural foi com a saborosa culinária local. Nos introduziram aos famosos e deliciosos “Dim-sum” num local bem tradicional e nos apaixonamos. Dim-sum é um bolinho feito a vapor de diversos sabores, sendo os mais gostosos, na minha opinião, os de frutos do mar. É consumido em quase todas refeições e em especial no lanche do meio da tarde acompanhado de muito chá e um jornalzinho. Aliás, todas as refeições são acompanhadas de muito chá. Eles ficam  constantemente completando os bules que estão à mesa. E para aumentar nossa alegria com a comida de lá, nossos anfitriões ainda nos brindaram com um excelente jantar de frutos do mar feito em casa. Como era de se esperar de uma região litorânea, frutos do mar são o carro chefe da culinária local.


Matilda e Chris, o casal anfitrião, tem nomes de ingleses, falam inglês fluentemente mas são Chineses (ou HongKonguenos ? hahaha) e descendentes de chineses. A influência britânica ainda é muito forte na região, quase todos falam inglês, que é um dos idiomas oficiais e ainda dirigem do lado esquerdo da rua. Dirigem pouco na verdade, porque contam com um excelente sistema de transporte público. Um dos mais eficientes que eu já vi no mundo. E melhor ainda é a forma que eles bolaram para integrar ainda mais o sistema na vida das pessoas. Como quase todos usam diariamente os meios, existe um cartão (Octopuss) aonde você coloca créditos para ir utilizando ao longo dos dias e apenas o aproxima das leitoras de metrôs e ônibus para utilizá-lo. Aí, inteligentemente, eles estenderam o uso do cartão para supermercados, restaurantes, lojas, etc. Tudo muito simples, prático e eficiente! E viva a modernidade!


Nos dias que passamos lá conciliamos nosso tempo entre visitar os pontos turísticos e o esporte nacional, as compras! Não é atoa que eles tem um sistema “simples, prático e eficiente” para comprar! Lá o consumo é intenso e nem um pouco consciente. Referência mundial pelo comércio de diversos bens a preços abaixo do resto mundo por conta de sua localização logística estratégica e tarifas reduzidas para bens importados (como não espaço para produzir, quase tudo é importado), os cidadãos locais acabaram se tornando consumidores frenéticos e compulsivos. É até interessante ver prédios inteiros com lojas somente de equipamentos de som, ou encontrar uma mega loja de artigos de esporte aventura no 12o andar de um prédio comercial! E para se ter uma idéia, um celular que é lançado no Brasil hoje, é lançado lá há uns 6 meses antes e corre o risco de já ser obsoleto! A lógica norte-americana de aproveitar apenas 1% de tudo que foi comprado depois do prazo de 6 meses é uma grande verdade lá! E o que fazer com os 99% das compras que vão parar no lixo ?? Eles ainda não conseguiram responder essa pergunta e vivem um drama pois  não existe mais espaço para aumentar os lixões!


Dentre os pontos turísticos, infelizmente não tivemos tempo para visitar algumas ilhas mais afastadas com trilhas muito interessantes pela natureza. Então nos contentamos em contemplar os diversos angulos de visão do porto, delineado pelos diferentes formatos das obras de arquitetura moderna que são inúmeros arranha-céus a beira do cais. E que fica mais bonito a noite quando os prédios estão com suas luzes coloridas acesas e ocorre o “show” de luzes integrado com uma música. Muito high-tech! Que é até um termo que pode ser considerado pleonasmo em se tratando de Hong Kong.


Depois de praticamente uma semana para obter nosso (caro!) visto para China, embarcamos no dia seguinte com destino a Pequim.


2 de novembro de 2008

Delhi

Retomando a série de relatos da viagem com bastante atraso...

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Chegamos em Delhi e fomos acometidos de súbito por um forte cansaço estranho. Mal conseguimos chegar a um hotelzinho na caótica zona de Paharganj ao lado da estação e caímos os dois doentes na cama. Paharganj é uma região que consegue agregar quase todos os elementos da vida em um grande centro na Índia: Transito enlouquecedor, cheiros, odores, vacas, muita gente, sujeira, vendedores, turistas, comida na rua, mais sujeira, hotéis, rikshaws, mendigos, moscas, bicicletas, calor, etc. Para imaginar isso em ação, jogue tudo no liquidificador e aperte play! 


No hotel o cansaço piorou para dores generalizadas em todo o corpo e calafrios. Resolvemos repousar e nos tratar com os elementos de cura que carregávamos e uma dieta de sopa e frutas. Após uma forte diarréia no dia seguinte, eu comecei a melhorar mas a Dri continuou muito mal. Depois de esgotados todos os nossos poderes de cura, resolvemos procurar uma clinica decente em meio a todos os medico picaretas em Delhi para podermos tratar a Dri. Felizmente achamos uma clinica para estrangeiros muito boa. Depois de vários exames não conseguiram identificar o que causou o mal à saúde da Dri e ficamos apenas com a "suspeita" de dengue. Eu mesmo acho que fomos infectados pela mesma bactéria numa dessas estações de trem nojentas de lá e tivemos reações diferentes (afinal, ficamos doentes juntos!). Durante os dias de internação da Dri, revezei meu tempo entre a clínica e algumas visitas breves à alguns lugares interessantes como a zona histórica (e caótica) de Delhi antiga. 


E em meio à isso concretizou-se a oportunidade de trabalhar com o trabalho permacultural no Boom Festival, em Portugal. Então decidi terminar a passagem pela Índia prematuramente e seguir o roteiro passando alguns dias na China antes de ir começar o trabalho lá em Portugal.  Dessa forma, assim que a Dri teve alta e condições para viajar, pegamos um trem  para Mumbai, com direito a superlotação e desvio de rota para fugir de protestos violentos, e de lá, em meio à um dilúvio das primeiras chuvas de monção, pegamos um vôo para Hong Kong. Definitivamente as coisas não estavam fáceis na Índia, e talvez a melhor solução tenha sido mesmo sair de lá mais cedo que o previsto. E assim também ficou o gostinho de quero mais, principalmente para voltar e conhecer os Himalaias na região norte.